Marília Pera irá interpretar a pior cantora lírica do mundo

Eu li a notícia no Caderno2 do Estadão, achei muito interessante a vida dessa cantora – Florence Foster Jenkins – e fui pesquisar a respeito dela. O que encontrei foi muito interessante e engraçado, pois Florence canta realmente muito mal ( vi esse vídeo dela no YouTube ) e graças a isso, conquistou fama, pois as pessoas, incluindo grandes músicos, disputavam a tapas os ingressos só para gargalhar dos péssimos dotes musicais de Florence. Com certeza vai ser difícil pra Marília Pera, que é uma ótima cantora também, a fazer o papel de Florence, por motivos óbvios; no arttigo que li, Marília começará a ter aulas de des-canto, para aprender a cantar mal como a pobre Florence Foster Jenkins.

Quem quiser conhecer um pouco da vida dela, leia abaixo essa pequena biografia que achei nesse ótimo blog aqui, e que transcrevo abaixo:


Florence Foster Jenkins era a piada mais popular de Nova York nos anos 40 do século passado. Os ingressos para os recitais anuais que protagonizava no Hotel Ritz eram disputados a tapa. No meio de seu público, podiam ser reconhecidos Cole Porter e Noel Coward. A eles, ela oferecia um repertório caprichado – Mozart, Verdi, Strauss – com uma peculiaridade: conseguia as piores interpretações que estes compositores já tiveram em toda a História. Florence cantava mal. Muito mal. Tão mal que ganhou o apelido de “a diva do grito”. Com o tempo, os desatinos vocais de Florence caíram no esquecimento. Na semana passada, a “arte” de Florence Foster Jenkins voltou a um grande palco em busca de platéias contemporâneas. A trajetória da cantora é a principal atração de “Souvenir”, espetáculo que estreou no Teatro Lyceum, na Broadway. Florence brilha mais uma vez em Nova Yok.


Nascida em 1868, Florence, desde criança, manifestou o desejo de seguir a carreira de cantora lírica. O pai, um banqueiro bem-sucedido, ao notar o resultado das primeiras aulas de canto da filha, recusou-se a continuar pagando seus estudos. Florence não desistiu. Aos 17 anos, fugiu de casa para continuar dedicando-se à arte de cantar. Casou-se, descasou-se e ficou na pior até o pai aceitá-la de volta, com a condição de que desistisse de cantar. Ela topou e foi assim até completar 41 anos, quando o pai morreu e Florence herdou grande parte de sua fortuna. Não havia mais empecilho algum para mostrar ao mundo sua indomável voz de soprano coloratura.
Três anos depois, ela já estava dando seu primeiro recital anual. Tinha inquebrantável segurança de seu talento e dispunha-se a cantar as árias mais difíceis do repertório clássico. Em 1934, conheceu o pianista Cosmé McMoon com quem formou uma dupla até o fim da vida. Neste período, manteve o recital no Ritz, agora com McMoon – ela vendia os ingressos pessoalmente para evitar a presença de jornalistas – e gravou dois discos. A renda ia sempre para instituições de caridade.
Aos 75 anos, viajando num táxi, sofreu um acidente no trânsito. Os amigos tentaram convencê-la a processar o motorista. Ela preferiu enviar-lhe uma caixa de charutos. Adquiriu a crença de que, depois do desastre, conseguia emitir um fá maior melhor do que nunca. Os amigos temeram também a gravação dos discos. Acreditavam que, se ela se ouvisse, perceberia o quanto cantava mal. Mas Florence não se deu conta. Achava que os discos revelariam seu talento para gerações futuras, seriam como um souvenir de sua arte.
Tinha 76 anos quando aceitou se apresentar a um público maior que o dos recitais no Ritz e estrelou um concerto no prestigioso Carnegie Hall. Feito o anúncio, os ingressos se esgotaram em poucas horas. Mais de duas mil pessoas voltaram da porta do teatro, na noite de 25 de outubro de 1944, depois de tentar comprar algum ingresso de desistentes. Quem viu garante que foi uma apresentação inesquecível. E interminável. Entre uma música e outra havia intervalos enormes para Florence mudar de figurino. Sua roupa com asas – ela chamava de “Angel of inspiration” – tornou-se um clássico. Conta-se que a atriz Tallulah Bankhead riu tanto durante a apresentação que teve que ser retirada do teatro.
Um mês depois do concerto, Florence morreu. Há quem atribua a morte à depressão por, enfim, dar-se conta da reação do público. É difícil de acreditar. Em 32 anos de carreira, Florence, certamente, conheceu todo tipo de reação. Não seriam algumas gargalhadas mais escancaradas que a fariam
desistir. Florence era uma estrela e sabia como tornar sua platéia feliz.

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